Histórico de Brasilândia
Prof. Carlos Alberto dos Santos Dutra (Especialista e Mestre em História, UFMS/CPTL/CEUD)
Tudo começou quando a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil - NOB, adentrou o solo sul-mato-grossense em 1914 e Brasilândia
ainda vivia a sua infância. As matas e cerrados desta região eram habitados pelos dóceis e tímidos indígenas Ofaié, chamados
erroneamente pelos colonizadores de Xavante. A região toda pertencia a Santana de Paranaíba, e Três Lagoas ainda era Distrito.
Em 1919, a empresa norte-americana, conhecida na região como firma inglesa da marca Argola, The Brazil Land Cattle and Packing
Company, adquiriu cerca de 800 mil hectares de terras na margem direita do rio Paraná. Contam os mais antigos que a empresa dedicouse inicialmente a criação de cavalos (que as onças se encarregaram de devorar a todos, atraídas pelo sabor adocicado da espécie exótica).
Sob o aspecto econômico, a exemplo dos campos da Vacaria do Sul, a empresa passa então a importar gado bovino do tipo hereford e shourton europeus. Mais tarde, estes animais foram substituídos pelo gado da raça zebu, importado da região sudeste da Índia (Nelore), que era de maior porte e mais resistente à intempérie e às doenças, e que depois, firmou-se na região como o produto de maior importância.
Quando o mundo ainda agitava-se em guerra mundial contra Adolf Hitler, os acionistas da firma Brasil Land sofreram a dura ação
desencadeada pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra, entre 1947 e 1948, quando encampou e nacionalizou bens e propriedades de
muitos estrangeiros no Brasil. Vastos territórios foram desapropriados pela Superintendência das Empresas Incorporadas ao
Patrimônio Nacional-SEIPAN, que encarrega-se de promover, a partir de 1949, a distribuição de terras não exploradas economicamente, através de programa de colonização.
Para aplacar a especulação imobiliária que campeava no então Estado de Mato Grosso, sob o governo do Dr. Arnaldo Estevão de
Figueiredo, diversas firmas particulares de colonização foram criadas, entre elas a Companhia Boa Esperança Comércio de Terras e
Pecuária S/A (COTERP), de propriedade dos sócios, professor aviador Arthur Hoffig e Alberto Madi, que iriam semear alento a esta terra através da idealização e construção de um sonho: a fundação do município de Brasilândia.
Sobre o surgimento do povoado, sabe-se que o rio Paraná sempre foi a via de navegação mais utilizada pelas monções, antigas
expedições que desciam e subiam os rios trazendo riquezas e levando progresso ao longo de suas margens. A partir de 1905, já
utilizava essa via fluvial a Companhia de Viação São Paulo-Mato Grosso, que dava suporte comercial às principais cidades ribeirinhas
do lado paulista e do lado mato-grossense. O povoado de Porto João André surge nessa época, configurando-se este porto uma importante via de acesso à futura cidade de Brasilândia. O Censo de 1940 registrava neste porto, célula mater de Brasilândia, uma população de 147 pessoas na zona urbana.
O sonho e a ousadia do patriarca Arthur Hoffig materializou-se em 1957, quando o pequeno patrimônio doado por ele e composto de
poucas ruas e uma praça central, viu erguer na região mais alta da cidade, uma cruz, que passou a ser conhecida como o Cruzeiro,
simbolizando o marco da fundação e da religiosidade dos que aqui aportaram. Produto da aglutinação das palavras do nome da antiga
firma Brazil Land Cattle (Brazil=Brasil, Land=Terra, Cattle=Gado), BRASIL+LANDIA, foi elevada em 12 de julho de 1961, através da Lei
1.501/1961, à condição de Distrito.
Recebendo migrantes de várias partes do país em função de sua atividade econômica predominante --as fazendas de gado--, em
pouco tempo o distrito Brasilândia vê seu perfil transformado em uma verdadeira cidade, e que começa a despertar interesse administrativo também na matriz Três Lagoas. Dois anos depois, é apresentado Projeto de Lei na Assembléia Legislativa do Estado visando a criação do município de Brasilândia. Em 14 de novembro de 1963, através da Lei nº 1.790/1963, é criado oficialmente o município de Brasilândia, sendo logo batizada de Cidade Esperança.
A instalação do município se deu oficialmente no dia 25 de abril de 1965. Neste dia, às 10:00 horas da manhã, foi instalada a primeira
Câmara de Vereadores. Ao tempo dessa emancipação houve quem resistisse em aceitar o seu desmembramento por se tratar da melhor parte das terras do município de Três Lagoas que perdia 11.082 km2 de sua área. Com este ato Brasilândia, através de seu primeiro Prefeito, José Francisco Marques Neto, vê empossados Luiz Eugênio Primo, Manoel Ciriaco Neto, Paulo Simões Braga, Wilson de Arruda e João Carlos da Silva, seus primeiros vereadores (1).
Na década de 1970, instala-se no município a indústria canavieira que passa a dar impulso ao setor primário e secundário da
região. A Usina Brasilândia Açúcar e Alcool Ltda, (depois, Energética Brasilândia, do Grupo José Pessoa), iniciou suas atividades
plantando 16 mil hectares de cana de açúcar e produzindo dois mil empregos, e com uma expectativa de produção de 74 mil litros de
álcool. Hoje a empresa produz mais de 120 milhões de litros de álcool hidratado por ano.
O fortalecimento deste setor, sem dúvida, transforma a geografia do município. Ao lado da exploração agropecuária e do setor oleiro,
formado pelas olarias e o turismo do Porto João André, o município firma-se econômica e politicamente. A chegada do Laticínio
Brasilândia e outras empresas agropecuárias de pequeno e médio porte, consolidam o progresso inaugurado pelo pioneirismo de Arthur Hoffig, trilhado depois, com brilhantismo, pelo Grupo Hofig Júnior (HJ) e um rol de empresários entre eles Luigi Cantone, pioneiro na exploração da orizicultura irrigada no município.
Em 1978 Brasilândia já possuía um banco, o Banco Financial, um Cartório de Paz; tinha 46 casas comerciais, 30 escolas, sendo 26
na zona rural e dispunha até de cinema. A vila Debrasa, de fazenda tornou-se Distrito e hoje é um grande centro produtor a gerar divisas
e empregos para o município. Sobre as datas cívicas do município tem-se: A criação da Comarca de Brasilândia deu-se em 18 de setembro de 1986, pela Lei nº 664/1986, e sua instalação em 11 de março de 1987. O distrito de Xavantina emancipou-se e foi desmembrado de Brasilândia em 1987, reduzindo a área do município para 5.806,6 km2.
O sonho dos pioneiros, que também passou pela humildade do velho indígena Ofaié, Alfredo Coimbra e de um desbravador, Antenor
Fonseca, entre outros saudosos, até chegar a mega-empreendedores ilustres desses tempos atuais e modernos, todo o esforço frutificou, e é partilhado por todos aqueles que continuam acreditando que é possível transformar a esperança em sonho e o sonho em realidade.
Informações sobre Brasilândia:
O município é integrante do Programa Comunidade Solidária e está localizado na região Centro-Oeste do país, na região Sudeste do
Estado, no denominado "Bolsão Sulmatogrossense", na margem direita do rio Paraná, fazendo parte da micro região de Três Lagoas.
A topografia é levemente ondulada e a bacia hidrográfica é formada pelos rios Paraná, Taquarussú, Pardo e Verde, apresenta clima
tropical úmido com temperatura médias de 27º C e período chuvoso variando nos meses de setembro à março.
Dados estatísticos oficiais revelam que Brasilândia possui uma área de 5.806,892 km2 (representa 1,63% do Estado), e possui uma
população de 12.451 habitantes (dados do IBGE, 2007, Estimativa). O único distrito do município dista da sede da Comarca 52 km e chama-se Debrasa, região agroindustrial de plantio de cana de açúcar e produção de álcool, emprega sob regime de contrato temporário para o corte da cana, cerca de 1.200 indígenas (2004) oriundos de diversas regiões do Estado.
O município dista por estradas pavimentadas da Capital do Estado 394 km; tem 9.202 eleitores (dados do TRE/MS, 2004); densidade
demográfica de 2,12hab./km2 (dados da Secplant/MS, 2004); taxa de urbanização de 62,28%; IDH-M 0,757 (25º do Estado) (dados do
Ministério da Integração Nacional, 2005), taxa de alfabetização de 86,8% (dados da Secplant/MS, 2004); 93,34% das crianças de 7 a 14 anos estão na Escola; e taxa de crescimento anual de 1,64%. Tem sua economia voltada para a pecuária, destacando-se o gado de corte e a suinocultura, além do cultivo de milho, arroz, feijão e cana de açúcar. Do total de estabelecimentos agropecuários 64% possui mais de 100 hectares, sendo que os principais produtos agrícolas são a cana de açúcar (8.751 hectares plantados/437.550 toneladas), a mandioca (1.500 toneladas), o milho (360 toneladas) e o café (350 toneladas) (dados da Secplant/MS, 2003).
O rebanho bovino é de 540.819 cabeças (dados da Secplant/MS, 2004. Segundo o site da Câmara Municipal de Brasilândia o rebanho do município está estimado em 700.000 cabeças e corresponde a 47% da arrecadação de ICMS, seguido pela agricultura com 40,02% e o suíno é de 55.707 cabeças (2º rebanho do Estado). O município ainda tem uma produção de 4.606.000 litros de leite (2002) e 01 tonelada de mel de abelha/ano. No ramo da indústria destaca-se a sucro-alcooleira (Energética Brasilândia Ltda) e o mineral não metálico, a matéria prima argila e a areia (49 estabelecimentos). A maior arrecadação do município (ICMS) tem origem na pecuária que representa 77% da arrecadação total do município, sendo que a indústria representa apenas 0,24% do total.
Patrimônio Cultural:
O gentílico do lugar é brasilandense, e o município possui os seguintes eventos anuais: Brasafolia, durante o carnaval; o Revellion,
durante a Festa da Virada; o aniversário da cidade; a Feira do Artesanato; a Cavalgada dos Fundadores; o Circuito Municipal da
Prova do Laço Cumprido; a Festa dos Motoristas; o Rodeio do União; o Torneio Radical Cross, entre outros.
No âmbito do patrimônio, a região abriga uma centena de sítios arqueológicos já identificados. É de se destacar a existência de um
cemitério indígena localizado nas margens do Córrego Puladouro, e também os vestígios de um Cabo de Aço nas proximidades de uma antiga balsa, na Fazenda do Porto (sitio arqueológico) que fazia a travessia do rio Verde, hoje servida por uma ponte de madeira, no curso da estrada estadual antiga MS 459 (fonte: DENIT, 2002), que ligava as duas sedes da Fazenda Boa Esperança, pertencentes à empresa The Brazil Land Cattle and Packing Company.
O patrimônio cultural do município por excelência, entretanto, é a Aldeia Indígena Ofaié. Sua área mede 1.937,6250 hectares e tem
valores fixados para compor o coeficiente de conservação da biodiversidade pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do
Sul-IMASUL, órgão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento da Ciência e Tecnologia-SEMAC, na ordem de 0,0410020 (fonte: SEMAC, 2007). Registre-se aqui o valor e a importância da preservação desses dados da cultura local e regional.
A Paróquia do Cristo Bom Pastor, padroeiro do município, foi criada no dia 25 de junho de 1972, desmembrada da Paróquia de Santa
Luzia, de Três Lagoas. Consultada as partes interessadas e estudados os limites territoriais dessa nova circunscrição, D. Antônio
Barbosa, Bispo de Campo Grande, juntamente com o padre Ubajara Paz de Figueiredo, Sr. Julião de Lima Maia, prefeito municipal, as
irmãs Margarida Baptista das Dores, Cacilda Soares Ribeiro, Zélia Lopes da Silva, Ana Ribeiro Lima, Abigail Dias Batista, Célia Maria
Simeão e o Sr. Manoel Galdino de Souza, “declaram canonicamente ereta a nova Paróquia, sob a denominação de Cristo Bom Pastor”.
Dados Estatísticos:
PRINCIPAIS PRODUTOS DO MUNICÍPIO: Pecuária de corte, Suínos, Tijolos, Arroz, Feijão, Cana de Açúcar, Café, Algodão, Soja e Milho e Turismo.
PRINCIPAIS INDUSTRIAS: Energética Brasilândia Ltda. (Usina de Álcool DEBRASA) - 3.000 empregos diretos/Indiretos, Suinocultura - Projeto 10.000 - 300 empregos diretos/indiretos, Cerâmicas e Olarias - 150 empregos diretos/indiretos
LIMITES DO MUNICÍPIO: Norte: Três Lagoas e Água Clara; Sul: Santa Rita do Pardo; Leste: Divisa com Estado de São Paulo ( Panorama e Paulicéia); Oeste: Ribas do Rio Pardo
AGÊNCIA BANCÁRIA: Banco do Brasil; Banco Postal - BRADESCO; PA - CAIXA ECONÔMICA FEDERAL ( Lotérica)
ATRAÇÕES PRINCIPAIS: Reserva Ecológica/ - RPPN Complexo Cisalpina-Flórida; Aldeia Indígena (Povo Ofaié); Cruzeiro : Marco Histórico da Cidade; Praça Santa Maria; Centro Cultural Ramez Tebet
Com a formação do lago da Usina Hidrelétrica Engº Sérgio Mota, (antiga Porto Primavera), houve uma modificação no perfil sócioeconômico do município. O Município possui 03 (três) Reassentamentos e 01 (um) Assentamento: Reassentamento Pedra Bonita, com 87 famílias, Reassentamento Santana-Santa Emília, com 110 famílias e Reassentamento Novo Porto João André, com 120 famílias. E o Assentamento Mutum, com 177 famílias. Ao Reassentaento Novo Porto João Andrée integram 35 Unidades de do Complexo Cerâmico-Oleiro do município (dados de 2001).
O município conta com infra estrutura básica de água tratada, rede de energia elétrica coleta de lixo, com percentual em 100%, e atualmente 70% da população é servida de rede de esgoto, e 75% é beneficiada com vias urbanas pavimentadas e mais da metade da população usufrui de telefones (dados de 2001). O atendimento a Saúde aos Munícipes é feita através de 01 hospital, com capacidade de 25 leitos (públicos/gratuitos), e com 04 posto de Saúde (01 na sede do Município e 03 na área Rural), tendo em atividade 05 Médicos residentes e 04 dentista a disposição dos Munícipes (dados de 2001).
O Município dispõe de 01 jornal local (Jornal da Cidade), os meio de comunicação de TV são convencionais ( Globo, SBT, Bandeirantes) e convencional/cabo (parabólica), possui Clubes de serviços sociais, tais como, Rotary Club, Loja Maçônica Estrela do Oriente e Loja Maçônica Estrela do Ocidente, Associação Recreativa União e Associação Recreativa Masters, disponibiliza de 05 hotéis, e área de lazer (dados de 2001).
Brasilândia-MS, 22 de Julho de 2009